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quinta-feira, 31 de março de 2016

A ESSÊNCIA DA MÚSICA




Estava eu pensando em todo o caminho que percorri como músico até hoje e me veio a mente tudo isso que está escrito ai embaixo... 




A ESSÊNCIA DA MÚSICA
(por Rodrigo Magrão Griebeler)

A essência da música... É aquela sensação inexplicável que invade quando conseguimos executar perfeitamente uma canção. È quando na adolescência ensaiamos com nossos amigos como se estivéssemos fazendo um show para um mega público e no final olhamos um para o outro com uma única certeza: é isso que vou fazer pelo resto de minha vida. Essa alegria e satisfação incontroláveis... é isso. É a mais forte das paixões.

Pelo menos no início de tudo essa é a essência. Mas depois ela muda e vai embora quando decidimos viver da música e não dá certo como esperávamos. Essa magia encantadora se vai quando perdemos  tempo ensaiando, tirando música, estudando pra ter um bom desempenho, tirando dinheiro que poderia ser investido em nossa família pra ter um bom instrumento, para apresentar um bom equipamento (que gera qualidade final para quem escuta a música) e não se conquista a devida valorização por isso.


A valorização que deveria vir não somente do contratante mas também do público. Ambos exigem a qualidade e a própria música em si para diversão e atrativo em seus bares, restaurantes e eventos. Mas ambos não reconhecem o valor da música, o sacrifício que todo o músico se submete na ilusão de tentar viver da música.


O contratante quer qualidade  mas oferece valores de cachês limitados a um teto, muitas vezes ridículos, que acha justo investir e que, em grande parte das vezes, é menor do que realmente vale o trabalho do artista. Já o público consumidor considera justo investir apenas no produto físico consumível (comida e bebida) dos bares e restaurantes que oferecem música ao vivo. Como se fosse obrigação dos estabelecimentos oferecer música ao vivo e do músico em contentar-se com uma cerveja como recompensa por tocar uma hora a mais do que o contratado. A grande maioria desse público considera ofensiva a cobrança do couvert artístico ou do ingresso para que se tenha a música ao vivo.


Funcionando dessa forma, com o contratante definindo teto de cachê e o público se negando a pagar uma pequena contribuição pelo trabalho artístico que está recebendo, sobra pro músico o prejuízo. E não dá pra escolher muito. Ou ganhamos o que é oferecido ou não ganhamos nada. Passamos a desconfiar de nossa capacidade artística e aceitar qualquer oferta pois nós também pagamos contas como todo mundo. Essa é a vida do profissional da música que não estourou popularmente nos grandes meios de comunicação. Essa é a vida do músico de bar. Do músico que depende de si só pra tocar sua carreira.


E como sentir a essência da música nisso tudo? No final das contas, aquela  magia que faz com que todo artista se jogue de cabeça em uma carreira se reduz quase ao mínimo. A música se torna mecânica e sem emoção. O artista aprende a sorrir ao cantar, mesmo desiludido, sabendo que seus investimentos e estudos, assim como sua vocação artística foram em vão. E o pior de tudo: o artista tende a ser sonhador, a ser insistente e acreditar que um dia tudo mudará. Passa a vida apresentando sua arte por migalhas, por sobrevivência.  Mas quase sempre tudo se mantém igual ou pior e quando se percebe, o tempo passou e tentar recomeçar a vida em outra profissão nem sempre é possível. Daí a frustração aumenta. E a essência da música se vai de uma só vez.




31/03/2016

Um comentário:

  1. Exatamente assim que eu me sinto, e a emoção vai se indo, se indo. Daí eu choro e me pergunto o que eu fiz de errado, minha vocação tá acabando... Nada de errado, só não fui levado a sério e nem valorizado. Já toquei muito melhor, mas me senti humilhado quando não valorizam meu esforço e empenho pra dar o melhor. Fora as incompreensões do artista por parte de quem te contrata, tipo aquela lá no cabelo em Pareci... Não posso desistir né?

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